TEMPO

Há sempre aquele momento 
Em que precisamos nos isolar em algo novo.
Algo, algum lugar, qualquer coisa 
Que nos tire essa ansiedade, que nos tire essa dor do peito. 
Algo que nos faça ter vontade novamente, 
Vontade de correr atrás, de ficar sedento novamente pela vida. 

Nem sempre nosso quarto e nossa cama são os melhores refúgios
Ou então os que melhor nos acolhem. 
Quem sabe um final de semana sozinha na serra baste,
Quem sabe aquele frio, as montanhas e a natureza
Não seja o lugar onde as lágrimas que restam vão se derramar. 

Ou pode ser então que precisemos apenas de um colo
Um momento pra nós, nosso próprio colo talvez. 

A vida mostra, ensina e assina. 
Ela mostra quem um dia foi sim
E por escolha sua ficou no talvez, 
Mostra quem era certeza 
E hoje não passa de uma interrogação.

Tem vezes que te amadurece mesmo sem querer
Te mostra que aquelas reticências não passavam de uma dúvida
E não necessariamente era uma continuação.

A vida tem disso. 
Tem a necessidade de um quarto silencioso
Uma cama acolhedora 
Barulhos apenas do soluço
Apertões apenas no travesseiro
E um longo tempo para reencontrar a ordem
E assim conseguir recolar os cacos, 
Aqueles cacos que ficaram do coração. 

É impreciso e singular, 
É no tempo e com o tempo
Que se molda a minha, a sua
E todas as formas para um dia recomeçar. 

Nathalia Teich
10/07/2016

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