VIZINHA DA EXPECTATIVA

É inevitável fechar os olhos e vir  nosso primeiro encontro à cabeça. E daí em diante começa um filme, filme que parece passar cada segundo bem devagarinho,  pra que eu não perca nenhuma cena.

A trilha sonora são as risadas que damos juntos, aquela música vindo de dentro do taxi enquanto tomávamos uma cerveja e eu falava de mim e logo em seguida fazia graça com algo para tirar o foco. Já em algumas cenas o que prevalece é o silêncio,  mas o silêncio que abraça, sabe? Aquele silêncio em que eu te conto coisas bem minhas mesmo, e que você escuta com atenção e olhando bem nos meus olhos, como que tentando me acalmar e abraçar com apenas esse olhar.

Os olhos continuam fechados. E olha que loucura, a história ainda não acabou e você continua aqui dentro,  da cabeça e do peito. Com o sorriso estampado no rosto, pronto para soltar uma piadinha e me deixar envergonhada - coisa rara.

Mas confesso que involuntariamente, a cena que mais volta a minha cabeça é a de nós dois na cama. Rindo, juntos, felizes e entregues. Eu não conseguia perder a piada e você ria e me olhava.. Uma sintonia, um calor, uma alegria, uma energia e um riso bobo que há tempos eu não dava.

Era recente, foi tudo muito rápido e intenso, que da mesma forma rápida  que começou, acabou. E a recíproca que eu acreditava existir, veio como uma realidade dura bem na minha frente.

Mais uma vez a vida veio me lembrar que a decepção, mora sim, bem pertinho de mim. E é vizinha da expectativa.

Nathalia Teich
17/12/2016

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