ELA



Vinte e poucos anos, final da faculdade de publicidade, moradora do Rio de Janeiro, nascida em uma família um tanto quanto exótica. Cinco irmãos na conta, sendo a 2a caçula, infância entre Leblon, Barra e Grajau. Pai médico, mãe enfermeira e uma vida inteira ligando pontos e trilhando um caminho. Mas qual será esse caminho?

É, até que a sinopse não está das piores. Uma infância agitada em meio a finais de semana alternados entre casa da mãe e casa do pai, estudando no centro e tentando ver algum sentido naquela rotina que não fosse comer merenda e ser o bobo da corte da classe.

Longe de ser a mais atraente das amiguinhas durante a fase da adolescência, aquela gordinha de pavio curto, transbordava palhaçada e afeto. Atrapalhada porém não zoada, afinal tinham quatro irmãos pra proteger. A verdade é que era a típica gordinha engraçada, aquela que todo mundo quer por perto pra dar uma boa risada.

Vieram as reprovações, mudanças de colégios, encontros e desencontros da vida. Uns pesos foram deixados no caminho, durante um bom tempo nem mesmo se reconhecia. Não havia mais sorrisos, palhaçadas ou até mesmo pavio curto. Não havia sentido, não havia propósito.

Mãe preocupada, pai preocupado, padrasto preocupado... Mas ela mesma não se preocupava. Conforme um casulo, tempo indeterminado, foi aos poucos se abrindo.

Aprendeu um instrumento, namorou, foi vendo aos poucos o que não queria da vida - depois via as opções que sobravam, brigou e acertou uma vida toda com seu pai.

Cresceu, amadureceu e ainda não encontrou algo que pudesse chamar de propósito de vida.

Passou pra faculdade, se formou no ensino médio depois de muito esforço. Na faculdade um novo mundo, mais uma vez sua personalidade e seu carisma agregavam às pessoas. Eram tantas, e foram saindo, mas foram chegando também.

Hoje está no fim do curso, os irmãos continuam ao lado, o mais novo namora, o pai é o melhor amigo, o padrasto também, a mãe é a musa inspiradora. Não ha namorado, os amigos alguns continuam - seleção natural.

Continua sem saber se a vida tem um propósito definido, há alguns meses deixou de tentar achar. O propósito da vida, pra ela, é amar.

Pode ser que mude, pode ser que o amor tome outra forma, pode ser até que seja uma ilusão. Ainda assim ela continua.

Ri, chora, reza, faz poema. Escreve por sentir e sente porque escreve.

De uns tempos pra cá vê que embora a parte florida da árvore seja a mais bela, a raiz foi o que gerou. É de lá que vem toda essa beleza qur precisa ser cultivada, fortalecida, valorizada e sempre muito amada.

Se propósito é essa dedicação, talvez ela tenha até achado, mas precisa explicação?

Nathalia Teich
3/2/2017

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