MAIS UMA DAS COISAS QUE ELA JÁ SABIA

Uma vez minha mãe compartilhou esse texto comigo. Ela sempre soube das coisas.

Sempre temi viver esse momento, sempre me “escondi” desse momento, ainda que soubesse que uma hora viria.
Quando minha mãe me mandou não consegui ler nem até a metade, me fechei pro que poderia estar aos meus olhos mas que eu não queria ver.

De longe a dor mais doída, disparado a saudade e a certeza de que vou viver a vida inteira com esse buraco.

O texto fala bem como sempre vivemos e no que acreditamos. Fala de forma confortante mas que destrói o que já tá desmoronado. Conforta mas doi.

Agora a vida tá uma montanha russa. Oscila entre ser forte e seguir como ela, ela estar bem e sem sofrer, mas aí vem a saudade e o buraco que voc deixa no dia a dia.

A ligação que eu não posso mais dar, a mensagem que não dá pra mandar, o abraço, cafune, a conchinha e a bronca que, de você, não vou mais escutar. O peito chega a arder, mãe! E sei que nunca vai passar, mas alguma hora deve amenizar.

Com todo e maior amor desse mundo!


OS QUE NUNCA PARTEM

"Eu me lembro que quando era muito jovem, ouvia os adultos comentarem: fulano partiu.

Esta era a forma que eles achavam menos sofrida de falar que alguém havia morrido,

principalmente quando estavam perto de crianças.

Era um jeito delicado que eles tinham

de citar a morte sem que ela parecesse

tão chocante.

Cresci e comecei também a falar assim "fulano partiu".

Acabei achando menos dolorido,

menos violento se referir à morte dessa maneira.

Quando se diz que alguém morreu,

dá a impressão que se acabou,

desapareceu e, imaginar que alguém que queremos

bem acabou ou desapareceu pra

sempre, é terrível.

Dói mil vezes mais do que precisar enfrentar a sua própria ausência.

Partiu já é diferente,

dá uma sensação de que em algum

ponto da vida nos reencontraremos com essa pessoa querida novamente.

Fica mais fácil imaginar que ela viajou; uma viagem sem data pra voltar,

mas com retorno garantido.

Enfim, descobri recentemente,

que existe uma outra categoria dentro

desse universo.

São aqueles que nunca morrem e,

portanto, jamais partem.

São aqueles que embora desapareçam

de nossas vistas,

eternamente se fazem presentes em

nossa memória e nosso coração.

Os que nunca partem são as pessoas que

nortearam nossos dias,

colocaram um significado importante neles

e deixaram uma marca tão profunda em nós que não importa onde estejam, porque ao nosso lado, de alguma forma,

sempre estarão.

Morrer, partir, são coisas simples,

coisas do dia-a-dia.

Acontece toda hora,

em todo lugar, com todas as pessoas.

Os que nunca partem e os que nunca passam pela dor de assistir alguém querido partir, são os felizardos dessa vida.

Dores momentâneas,

saudades e ausências à parte,

felizes daqueles que amaram alguém nessa vida a ponto de jamais deixá-los partir de seus corações.

Se quando eu me for,

por desígnio de Deus,

uma única pessoa não me deixar

partir, me guardando dentro do seu peito,

eu direi que valeu a pena ter passado por aqui e que minha estada nessa vida não foi em vão.

Mas enquanto ainda estou por aqui,

só tenho a dizer que dentro de mim moram pessoas que nunca deixei que

partissem verdadeiramente,

assim como não deixarei que partam,

jamais, algumas que ainda estão por aqui.

Os que nunca partem são aqueles que descobriram o segredo de brilhar na terra, mesmo antes de chegarem ao céu

e se tornarem estrela."

(Atribuído à Silvana Duboc).


Nathalia Teich
15/06/2018



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